Minha prezada Camélia:
A situação está a piorar. Ao invés de parecer um radiante sol no meio do campo, pareço uma tempestade.
Todas as outras flores olham para mim, tristes.
A Dona Tulipa, minha mãe, faz mais vezes a minha comida favorita.
Pareço uma pinha caída na neve branca do Inverno, sozinho, sem companhia.
Depois de horas a "torrar" ao sol, a fazer fotossíntese, o dióxido de carbono parece mais poluído e o oxigénio mais pesado.
Horríveis, o adjetivo que carateriza estes dias sem ti.
Com certeza já deves estar farta destas palavras lamechas.
Nem imaginas o monte de folhas amachucadas que cobrem o chão do quarto.
Tantas palavras deitadas ao chão, tantos sentimentos a tentarem ser esquecidos, tantas perguntas por responder e apenas uma resposta para dar: distância.
O dia de S.Valentim aproxima-se e encontrei uma carta da Cravina para o namorado.
Ela, tão pequena, tão mais nova do que eu, mas com tanta sorte.
Sorte por desconhecer a palavra distância.
Sorte por desconhecer a dor de amar.
Sorte por ... não perceber?
Em breve receberá a minha prenda de S.Valentim.
Tua interna tempestade amada,
Florípedes Pinhal
Cipm.
