quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Florada

Minha prezada Camélia:


 A situação está a piorar. Ao invés de parecer um radiante sol no meio do campo, pareço uma tempestade.
 Todas as outras flores olham para mim, tristes.
 A Dona Tulipa, minha mãe, faz mais vezes a minha comida favorita.
 Pareço uma pinha caída na neve branca do Inverno, sozinho, sem companhia.
 Depois de horas a "torrar" ao sol, a fazer fotossíntese, o dióxido de carbono parece mais poluído e o oxigénio mais pesado.
 Horríveis, o adjetivo que carateriza estes dias sem ti.
Com certeza já deves estar farta destas palavras lamechas.
 Nem imaginas o monte de folhas amachucadas que cobrem o chão do quarto.
Tantas palavras deitadas ao chão, tantos sentimentos a tentarem ser esquecidos, tantas perguntas por responder e apenas uma resposta para dar: distância.
 O dia de S.Valentim aproxima-se e encontrei uma carta da Cravina  para o namorado.
 Ela, tão pequena, tão mais nova do que eu, mas com tanta sorte.
 Sorte por desconhecer a palavra distância.
 Sorte por desconhecer a dor de amar.
 Sorte por ... não perceber? 
 Em breve receberá a minha prenda de S.Valentim.


Tua interna tempestade amada,
  Florípedes Pinhal










Cipm.